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Saturday, December 12, 2009

Cuidar enquanto se é cuidado - A gravidez na adolescência


opinião rostos.pt - o seu diário digital

EROS & THANATOS
Cuidar Enquanto Se É Cuidado
A Gravidez na Adolescência
Por Tatiana A. Santos


A gravidez em idades jovens é muito frequente no nosso país e no nosso distrito. Para todos os jovens que pretendam levar em diante esta dura fase ou não, devem ser implementados gabinetes de apoio, onde técnicos possam ajudar a uma decisão consciente, permitir a procura de emprego quando a situação o exige, fazer a mediação entre os jovens e a Segurança Social, acompanhar a jovem mãe e o jovem pai, reforçar devidamente a rede social de suporte, quer ao nível de equipamentos locais, quer intervindo junto das famílias.

A adolescência é uma fase com muitas regras que se prolonga no tempo. Todos sabemos mais ou menos quando começa mas, muitas vezes, não conseguimos prever quando acaba. É um momento em que começamos a descobrir o corpo: o nosso e o dos outros. Muitos autores acentuam a perda ao longo da adolescência. Outros dizem que não devemos viver de lutos mas sim de conquistas. Contudo, o adolescente passa mais do seu tempo centrado nas perdas do que nas conquistas. Desidealizam-se os pais, os referenciais identitários passam a ser os pares e as figuras de referência personagens de novelas ou membros de bandas como os Tokio Hotel.

Trata-se de um período conturbado, de adaptação e construção de identidade, modelos, etc. Um período onde física e psicologicamente nos encontramos em desequilíbrio, caminhando sobre o arame – muitas vezes sem rede – em busca de quem somos. A gravidez transporta consigo mais desequilíbrios e adaptações. Muitas vezes é um período difícil mesmo para quem já se encontra estruturado e preparado para essa fase. Para quem ainda está à procura de si mesmo num “admirável Mundo novo”, maiores dificuldades existirão. Uma gravidez na adolescência implica um esforço duplo de união de duas realidades difíceis: estar grávida e ser adolescente.

A gravidez em idades jovens é muito frequente no nosso país e no nosso distrito. Para todos os jovens que pretendam levar em diante esta dura fase ou não, devem ser implementados gabinetes de apoio, onde técnicos possam ajudar a uma decisão consciente, permitir a procura de emprego quando a situação o exige, fazer a mediação entre os jovens e a Segurança Social, acompanhar a jovem mãe e o jovem pai, reforçar devidamente a rede social de suporte, quer ao nível de equipamentos locais, quer intervindo junto das famílias. O apoio Psicológico é fundamental, permitindo restabelecer o equilíbrio emocional durante a gravidez, pós-parto e maternidade, acompanhar antes e após uma interrupção voluntária da gravidez (se for essa a vontade dos pais), definir projectos de vida e apoiar no regresso aos estudos em parceria com CNOs e Centros de Formação Profissional. Os jovens devem ser apoiados na tomada de decisões – sejam elas quais forem – e o seu bem-estar é fundamental.

Tatiana A. Santos
Psicóloga Clínica
Doutoranda em Psicanálise
Tlf: 936783972 / Email: tatiana.a.santos@clix.pt

Wednesday, December 9, 2009

A Exclusão pela Idade - artigo ROSTOS online


Etarismo – a exclusão pela idade
Por Tatiana A. Santos


Etarismo – a exclusão pela idade
Por Tatiana A. SantosMuitas pessoas já se sentiram vítimas de Etarismo em todos os locais do mundo e também no nosso país. Vários são os sinais. O ser recusado um crédito, um cartão de crédito ou um seguro devido à idade, descobrir que a atitude de uma organização face aos mais velhos resulta em que se tenha um pior serviço, perceber os limites de idade em relação a benefícios (pensões, etc.) ou mesmo perder o emprego por causa da idade.


Um novo milénio chegou e com ele mais tecnologia, mais globalização... a era da comunicação sem fronteiras, uma outra aurora de desenvolvimento. Revolução nos equipamentos, computadores e mecanicismo. A electricidade substitui o toque, o trabalho substitui a família. Os dias passam e os anos correm. Não há máquina ou vacina que o impeçam. E sempre que amanhece, algo em nós foi desactualizado. Uma franja da população, que cada vez é maior, vive diariamente a exclusão desta sociedade que galopa no tempo. Novos programas, novos métodos, trabalha-se contra o relógio. A novidade impõe-se. Mas o Homem torna-se velho e inútil aos olhos de quem parece não ter mais espaço para si. Um fardo para a família, rejeitado no trabalho e a vida que parece não acabar.

O termo ageism ou agism foi desenvolvido por Robert Butler em 1969 e foi definido como sendo um estereótipo sistemático de discriminação contra pessoas devido à idade. Este conceito não tem, em português, termo correspondente tendo sido, por isso, “baptizado” por Joana Amaral Dias de Etarismo. Muitas pessoas já se sentiram vítimas de Etarismo em todos os locais do mundo e também no nosso país. Vários são os sinais. O ser recusado um crédito, um cartão de crédito ou um seguro devido à idade, descobrir que a atitude de uma organização face aos mais velhos resulta em que se tenha um pior serviço, perceber os limites de idade em relação a benefícios (pensões, etc.) ou mesmo perder o emprego por causa da idade.

Contudo, se a idade funciona como pretexto de exclusão na nossa sociedade, se o idoso se torna um fardo para a mesma e para a sua família, se envelhece sem apoio e sem redes sociais, o mesmo não acontece noutras culturas. Na índia, em algumas culturas orientais e, sobretudo nas tribos índias americanas verifica-se o oposto. O ancião é um elo de ligação entre os antepassados e as novas gerações. São os mais velhos que transmitem os aspectos culturais da sua sociedade. A tradição oral – as histórias contadas às crianças – transportam a mitologia, crenças e factos verídicos do seu povo. São eles que ensinam as normas de conduta.

É preciso agir e ter consciência de um fenómeno que alastra à medida que estas linhas vão sendo escritas. Compete aos técnicos de reabilitação e inserção social, antropólogos, sociólogos, psicólogos, políticos e a uma multiplicidade de áreas trabalhar com estes homens e mulheres válidos, criar politicas sociais adequadas e apoiar as famílias.

Tatiana A. Santos
Psicóloga Clínica
Doutoranda em Psicanálise
Tlf: 936783972 / Email: tatiana.a.santos@clix.pt


ARTIGO EM:
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