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Sunday, February 21, 2010

Intervenção - Reabilitação de Séniores, demências, AVCs, etc.)


A intervenção destinada aos séniores (se excluirmos o normal acompanhamento terapêutico no luto, depressão, ansiedade, etc.) foca-se, sobretudo, na reabilitação cognitiva e reinserção social do doente com Alzheimer ou outras demências, AVC, Trombose, etc.

Passa sobretudo por uma sequência de tratamentos que permite dar à pessoa condições de maior autonomia e qualidade de vida.

A TOR (Terapia de Orientação para a Realidade), a Reeducação Comportamental Activa, a Terapia da Reminiscência e a Reabilitação Baseada na Facilitação da Memória Implícita Residual são técnicas e ferramentas que visam dotar o/a paciente de formas de lidar com o dia-a-dia após o diagnóstico / efeitos de uma doença incapacitante e sobretudo debilitante do ponto de vista cognitivo.

Estas técnicas (bastante praticadas no Reino Unido), associadas ao apoio à família e ao acompanhamento psicológico, à terapia pela arte, pela música, etc. são excelentes formas de reinserir socialmente alguém cuja doença isolou do Mundo.

Se sofre ou conhece quem sofra de um problema que iria beneficiar deste tipo de intervenção, consulte um Psicólogo Clínico.

Thursday, May 28, 2009

O corpo e a mulher na história da humanidade



«Através de toda a história, as pessoas saíram:
desnorteadas, na tentativa de decifrar o enigma
da natureza da feminilidade
» - Freud (1989)

Eva foi o primeiro modelo feminino da história. Vista como sedutora e desobediente, é considerada por muitos responsável pela existência de morte no Mundo. No entanto, esta imagem é compensada com a da Virgem Maria –um exemplo a seguir, mãe de Cristo e concebida sem pecado. No outro extremo está Maria Madalena, a mulher arrependida (http://www.jatai.ufg.br/ped/4simposio/textcomp/03.html). Saltando um pouco no tempo percebemos que a religião, cultura e ciência eram exclusivas dos homens. A mulher deveria ser guardada para a procriação. Ao mesmo tempo que se atribuía à mulher esta tarefa, esta sociedade via com algum receio a sua relação com a menstruação, nudismo e sexualidade. O sexo foi assim convertido em pecado. O corpo feminino condenado ao pudor. Contudo, já existiam estereótipos quando ao corpo da mulher - mais redondo para seguir o seu curso de procriadora (Muraro, 1997). A revolução industrial e a II Grande Guerra o papel da mulher alterou-se. Surgiu o trabalho assalariado, o direito à educação e as mulheres começaram a usar a sua imagem nas reivindicações que faziam (http://www.jatai.ufg.br/ped/4simposio/text comp/03.html). Ao longo dos tempos várias têm sido as ideias sobre o papel do corpo, o que significa, o seu valor moral e o valor das suas partes constituintes. Para Chasseguet-Smirgel (2005) a representação psíquica do corpo tem sofrido muitas metamorfoses. Estas ideias têm diferido ao longo das épocas e de pessoa para pessoa (Synnott, 1993). Os gregos, por exemplo, glorificavam o corpo. Na antiga Grécia escultores, pintores e artesão celebravam o nu através de magníficas obras de arte que se perpetuaram no tempo. Tratava-se de uma cultura centrada no corpo. Contudo, as correntes variavam consoante as escolas. Já no império Romano o estoicismo era a filosofia dominante. Falava-se das batalhas entre corpo e alma e da superioridade desta última face ao físico (Synnott, 1993).

Os cristãos distinguiam o corpo físico, espiritual e moral. «O verbo foi feito carne» (João 1:14). A divindade tornou-se Homem, humanizada na sua representação. Já no Renascimento o corpo foi redescoberto. Botticelli, Da Vinci, Michelangelo, Raphael e Titiano pintaram-no como extremo da beleza (Synnott, 1993). Filósofos como Castiglione definiram a beleza como sagrada e Descartes (1596-1650) introduziu o discurso do método defendendo que o corpo seria um mecanismo comparado a um relógio que funcionaria mesmo sem a influência da alma (Synnott, 1993). A era vitoriana foi importante na medida em que acreditava que as mulheres eram governadas pelos seus corpos instáveis e fracos. Cérebro e útero competiam por energia. O útero era então o órgão que controlava a mulher neste período da história (Thorne, & Murray, 2000)

Douglas (1978) fez uma importante distinção. Definiu corpo natural e corpo social. Cada corpo, segundo a autora, é uma entidade física mas também uma representação – um meio de expressão controlado e restringido pelo sistema social. Estes dois corpos constituem-se em diferentes territórios de experiência. Eles espelham o físico no social e fazem-no ser vivido em termos sociais. Contudo, em todas as áreas, etnias e tempos, no início da vida a criança tem de integrar o seu corpo (Ego corporal) com o seu Ego psíquico. Tem de se formar essa percepção de unicidade. Porém, não é um processo fácil e por isso talvez as questões corporais sejam sempre polémicas. O corpo, para o bebé, é «extraterrestre». Por isso este reage com espanto e fascínio aos seus dedos, mãos e pés (Chasseguet-Smirgel, 2005).

Referências Bibliográficas

Chasseguet-Smirgel, J. (2005) The body as mirror of the world. UK: Free Association Books.

Douglas, M. (1978). Natural symbols. New York: Praeger.

Muraro, R. M. (1997) A mulher no terceiro milênio: uma história da mulher através dos tempos e suas perspectivas para o futuro. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos.

Synnot, A. (1993) The body social. Symbolism, self and society. London: Routledge.

Thorne, S. & Murray, C. (2000) Social constructions of breast cancer. Health care for women international, 21(3), pp. 141-159.

O Cancro da Mama e a Reinserção Social



Segundo a Direcção-Geral de Saúde (2003), o cancro da mama é o tumor maligno que mais afecta a mulher em Portugal. Em 2003 estimava-se que houvesse mais de 4000 novos casos por ano. As mulheres a quem é diagnosticado cancro da mama têm de aceitar o trauma de uma doença possivelmente mortal e a possibilidade de cirurgia mutiladora (Ogden, 2004). Não é, portanto, fácil aceitar tal realidade e metamorfose sem haver uma desinserção da paciente. É importante, por isso, perceber o papel simbólico da mama, entender o conceito de beleza como uma construção social mediatizada nas últimas décadas, compreender a importância da representação e auto-percepção corporal para melhor intervir nesta tão importante área da nossa vida social.

Por isso, os próximos posts vão ser dedicados a este tema e ao esclarecimento de mitos e tabús, através da publicação de uma parte da tese da minha Pós-Graduação realizada acerca deste tema específico. Mais esclarecimentos podem ser solicitados por telefone ou e-mail (ver contactos).